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Três e meia da manhã

Cedo me deparei com a desarrumação de toda a casa. O inicio da  noite havia sido movimentada. Lembro-me que o álcool foi, sem qualquer dúvida, um componente desinibidor.
   Regressámos a casa pouco passava das 2 da manhã, não completamente bêbados, mas tocadinhos, diria. A casa tinha sido arrumada nesse mesmo sábado de manhã, como é costume, seja por um, seja por outro. E dava gosto entrar na sala e ver tudo no seu respectivo sítio, entrar na cozinha e ver a loiça lavada, seca e guardada, entrar na casa-de-banho e não ver roupa suja espalhada pelo chão, entrar no quarto e ver a cama feita e a roupa dobrada e guardada nas gavetas. Já há muito tempo que o nosso trabalho não nos permitia realizar estas duras tarefas, limitando a nossa acção à limpeza básica do lar. Para celebrar, e porque há imenso tempo que também não o fazíamos, à noite fomos sair, fomo-nos divertir... Fomos pós copos!!!

   Nada de confusões ou multidões. Uma saída calma, relaxante com quem realmente interessava, os verdadeiros amigos. Aqueles com quem se pode contar para uma noite de copos, como para uma noite de necessidades. As conversas e risadas fluíam, mas da nossa troca de cúmplices olhares era por demais evidente que partilhávamos o mesmo pensamento: - "Vamos embora!" - A resto de noite que se avizinhava já estava presente nas nossas mentes, nos nossos corações.

   Muitas bebidas, mas não demasiadas, foram cruciais para a onda de excitação sentida ao nos apanharmos sozinhos, finalmente só os dois, ali, naquela casa vazia, para o culminar de uma noite, um dia, perfeitos, longe de preocupações e tristezas.
   Um beijo apaixonado ainda à porta de casa foi o acordar de sensações já quase esquecidas, um relembrar dos bons momentos vividos em dias que já lá iam! Outro beijo! Este ainda mais apaixonado, já deitados no sofá, e já sem a parte superior das roupas que nos cobriram a noite toda, desde que saímos para a "night".

   Da sala para o quarto poder-se-ia encontrar um rasto de roupa espalhada pelo chão, e aí, no quarto, onde até há segundos reinava silêncio, ouviam-se agora beijos apaixonados por entre o remexer de lençóis. O som  não era estranho áquele quarto. Sim, na realidade já aquela divisão havia assistido a muita sessão de amor, mas agora relembrava com emoção esses momentos pertencentes ao passado.
E o prazer durou o que aquando do quase êxtase, pareciam minutos, mas que depois já pareciam horas.

   O relógio despertador, morador da minha mesa de cabeceira marcava 3:15 quando, já com o fôlego quase completamente recuperado, levantámo-nos para refrescar - estava calor naquela madrugada. Eu fui logo para a cozinha preparar um copo de sumo, ela ainda fez uma paragem pela casa-de-banho. Bebi o sumo, e enquanto emborcava o copo, reparei que o relógio de parede da cozinha marcava 3:18 da manhã. Despejei um pouco de sumo para ela, no mesmo copo, e regressei para o quarto, agora novamente num silêncio assustador. Deitei-me a olhar para o teto. Ouvia o remexer de algo fora do quarto, vi uma sombra a acelerar pelo teto, pensei: " Vem aí. Deixa-me colocar numa posição sexy, pode ser que haja uma terceira ronda" - olhei para o despertador e marcava 3:27. Lá encontrei a posição; sexy mas não desconfortável, e esperei. Outra vez a tal sombra, agora no teto, mas nada à entrada do quarto, e o remexer há já alguns minutos que não se ouvia...

Continua...

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