Este novo trabalho que arranjei há uns 4 meses tem sido tão stressante. Mas eu gosto do que faço, e gosto dos colegas (alguns mais que outros, mas é normal. Bestas há em todo o lado).
Em casa as coisas não andavam bem, eu andava nervosa e sem pinga de paciência, o que tornava a nossa relação algo irreconhecível, nada do que antes havia sido.
Mas hoje foi um bom dia, a réplica de um dia outrora normal, um dia de paz, um dia de amor.
Do quarto para a casa de banho existe um pequeno corredor, na parede um relógio grande, redondo. Marcava 3:15 quando fui à casa de banho fazer um chichizinho, que a bexiga já gemia de vontade, enquanto ele foi à cozinha preparar-nos um copo de sumo, para refrescar.
Mesmo antes de entrar na casa de banho ouvi um remexer. Pensei que talvez fosse ele: "Amor? És tu?" - Não obtive resposta. Achei que tivesse a beber o sumo e não pudesse responder, pelo que continuei. Então, ouço o remexer novamente, mais perto e desta vez acompanhado com uma sobra estranha a correr o tecto. Olhei em redor à procura dele mas nada. "Amor?" - olhei novamente para o relógio e marcava 3:18.
Entrei na casa de banho, e como não fui vestida, sentei-me imediatamente na sanita e fiz o chichi. Novamente aquele remexer, desta vez acompanhado por um enorme calafrio na espinha. Este som estava a deixar-me realmente assustada. A sombra! Aquela sombra não era a dele. Era demasiado estranha e estava a ouvir sons de vidros na cozinha, onde ele havia ido há uns largos minutos.
Dirijo-me ao lavatório e abro a torneira para lavar a cara, mas sem que nada pudesse prever, sinto uma presença atrás de mim, apesar de não ver nada no espelho. Viro-me para trás e nada, não vejo absolutamente nada. Corro até ao corredor e olho para o relógio que marca 3:27, mas sons, não ouço nenhuns. Tento acalmar-me, mas de dentro da casa de banho ouço o remexer meros segundos após ver a sombra passar por mim e entrar lá dentro. Volto costas para a porta mas sinto umas mãos agarrarem-me os ombros e a puxarem-me para dentro da casa de banho. Estou muda, abro bem a boca e tento soltar um enorme e audível grito, mas nada sai. Luto contra estas mãos invisíveis que me agarram, e sem saber bem como, consigo soltar-me e voltar ao corredor. Petrificada, olho para o relógio e ainda marca 3:27. Mas este não é o meu relógio. Este não é o meu corredor. Esta não é a minha casa...
Continua...

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